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CIÊNCIAS - 6ª SÉRIE



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CADEIA E TEIA ALIMENTAR

Cadeia alimentar

Uma das relações mais complexas e necessárias à vida no Planeta é a alimentação. Plantas e animais precisam obter energia para a manutenção da vida. Os vegetais "fabricam" sua energia, ou seja, sintetizam seu próprio alimento (são autótrofos). Já os animais não conseguem seguir esse processo, tendo que obter essa energia de fontes externas, ou seja, comendo vegetais e outros animais. Essa busca pela sobrevivência origina a cadeia alimentar. A reunião de várias cadeias forma uma teia alimentar.



O planeta é grandioso e com um número quase infinito de vidas. Para habitarem o mesmo lugar (o mesmo Planeta), é necessário que, de alguma forma, haja uma interação entre essas vidas. Essas interações podem ser benéficas ou "maléficas". Colocamos "maléficas" (entre aspas) pois, ainda que julguemos de alguma forma cruel, é necessário obter uma fonte de energia. Muitas vezes classificamos um animal como "assassino" (a baleia orca, por exemplo), sem no entanto pararmos para pensar que ela simplesmente está dando continuidade à sua vida. Se, por ela se alimentar de animais, já fosse assassina, como deveríamos nos classificar, já que muitos humanos caçam e matam animais por simples esporte?

Vamos discutir um pouco sobre o processo que monta uma cadeia alimentar, e depois ver como uma reunião de cadeias forma uma teia alimentar.

A evolução do Planeta

O Planeta Terra não surgiu como o conhecemos hoje. Quando da sua formação, não tinha vida, mas apenas um globo em altíssima temperatura, cuja crosta era composta de lava. Era tão intenso o calor que o Planeta irradiava que qualquer associação química entre os átomos era inviável. Conforme o tempo foi passando, diversos fenômenos físicos fizeram com que a temperatura abaixasse, solidificando a crosta. À medida que o resfriamento prosseguia, as ligações químicas foram se estabelecendo entre os átomos e foi-se formando a camada gasosa de H2 e He, envolvendo o Planeta. Essa seria a nossa atmosfera original.

Muitas mudanças foram ocorrendo ao longo de milhares de anos, até que a atmosfera e a crosta possibilitaram o surgimento e acomodação de grande quantidade de água. Esse fato possibilitou a reunião de átomos de tal maneira que surgiram os primeiros seres orgânicos, denominados coacervados, que eram a reunião das primeiras proteínas simples formadas. Não sabemos até que ponto, porém, seria correto denominá-los seres vivos.

Acredita-se que os coacervados tenham sido os primeiros seres com uma forma "autótrofa" de vida. O acúmulo desses coacervados teria levado a uma falta de alimento, "obrigando" a um passo evolutivo importante, o surgimento de organismos heterótrofos. Com isso o Planeta foi evoluindo, os seres se aperfeiçoando... e chagamos até os dias de hoje.

Ressaltamos que a teoria dita acima (ou melhor, super-resumo da teoria) é uma das que tentam explicar a origem e evolução da Terra. Infelizmente, por muito tempo, ainda ficaremos no "pode ter sido assim", e não no "foi assim"...
Fizemos essa pequenina introdução sobre evolução para motivar o estudo sobre cadeias e teias alimentares. É importante notar que, desde esse estágio super primitivo de vida, algumas relações entre os seres vivos e os não-vivos já começaram a se estabelecer, e entre essas relações está a alimentação.
Consideremos que, a partir do surgimento dos primeiros seres heterótrofos, uma gama de seres autótrofos também foi se desenvolvendo e se aperfeiçoando. Esse fato possibilitou, então, a formação das primeiras cadeias alimentares.

A cadeia alimentar



Já sabemos que há o estabelecimento de uma ordem, uma relação, entre os seres vivos. Temos agora que organizar essa relação, em relação aos hábitos alimentares. Essa organização é o que vamos chamar de cadeia alimentar.
Podemos dar duas definições de cadeia alimentar, uma em relação aos seres vivos e outra em função da energia envolvida no processo. Podemos dizer então que:

1) cadeia alimentar é uma seqüência de seres vivos, na qual uns comem aqueles que os precedem na cadeia, antes de serem comidos por aqueles que o seguem;



2) cadeia alimentar é o sistema de transferência de energia dos produtores, representados pelos vegetais fotossintetizantes, através de uma série de organismos em estágios de comer e serem comidos.
Essas definições são bem simples, mas válidas para nosso estudo.

O processo se inicia com os seres autótrofos, ou seja, aqueles capazes de produzir seu próprio alimento. São esses seres as algas unicelulares (que constituem o fitoplâncton, a base da cadeia alimentar) e os vegetais mais desenvolvidos. Esses seres são essenciais à vida do Planeta, pois são os únicos que conseguem "originar" energia, ou seja, sintetizar compostos capazes de liberar energia (os açúcares). Esses seres são denominados como produtores, que pertencem ao nível trófico primário.

Em seguida, vem os seres vivos que se alimentam desses produtores, pequenos animais herbívoros, que denominaremos consumidores primários, que pertencem ao nível trófico secundário.

Logo após temos os animais de maior porte, que não mais se alimentam de vegetais (pelo menos como maior base de dieta), mas de animais (e que consumirão os pequenos animais herbívoros): são os consumidores secundários, que pertencem ao nível trófico terciário.



Depois, temos os animais de grande porte, que se alimentam de animais de pequeno e médio porte, que denominaremos consumidores terciários, que pertencem ao nível trófico quaternário.

Mas o que é nível trófico? É o nível de nutrição (trófico é relativo à nutrição).
A cadeia alimentar não termina com o consumidor quaternário. A matéria orgânica morta é alvo dos decompositores (bactérias e fungos), que são os responsáveis por devolver à cadeia essa matéria decomposta em sais minerais e outros produtos, que serão assim reutilizados pelos produtores. Fecha-se, então, o ciclo da cadeia.

Basicamente essa é a seqüência que temos nas cadeias alimentares da Terra. Como incitado acima, alguns animais podem ter alimentação mista, ora constituída por vegetais, hora por animais. Isso possibilita uma diversificação enorme de cadeias.

Temos, porém, que justificar essa cadeia, e a nossa segunda definição de cadeia alimentar será a nossa justificativa. Como os seres heterótrofos não conseguem sintetizar o próprio alimento (obtendo assim a própria energia), esses serem precisam buscar uma fonte externa dessa energia, pois sem ela não há vida. Um ser, então, vai se alimentando do outro, obtendo assim a quota necessária de energia para a manutenção de sua vida. É importante notar, porém, que muito da energia é "perdida" pelo caminho. Isso será alvo de um outro estudo nosso, as pirâmides (de energia, de massa etc.).
Observe as ilustrações de diversas cadeias alimentares.

O que devemos observar?

Há algo importante que deve ser observado com esse nosso pequeno estudo. Notemos que há uma dependência muito grande entre os seres de uma cadeia alimentar. O que ocorreria, então, se modificássemos a cadeia em determinado ponto? Tomemos uma cadeia simples como exemplo:








Analisemos a primeira cadeia: se o número de serpentes tiver uma significativa diminuição, o número de águias também irá diminuir, pois ficará sem alimento; em contrapartida, o número de aves aumentará, pois não terá serpentes suficientes para manter um número equilibrado de aves. Por outro lado, diminuirá drasticamente o número de gafanhotos, pois mais aves estarão se alimentando deles, tendo como última conseqüência um aumento exacerbado da vegetação. Analise você a segunda cadeia e trace as conseqüências obtidas com a diminuição do número de serpentes.

Moral da história: RESPEITE a Natureza: tudo o que ela pede é que a deixemos realizar suas tarefas para que mantenha um equilíbrio saudável para que possamos viver e conviver em harmonia.

A cadeia alimentar não mostra toda a complexidade das "relações alimentares" que existem num ecossistema (ecossistema é a unidade ecológica, o local em que há diversas interações entre seres vivos e não-vivos). Uma maneira mais completa de descrever essa complexidade é mostrada numa teia alimentar, que será estudada no próximo artigo. Depois das teias alimentares, estudaremos o trânsito de matéria e energia, fechando assim nosso estudo sobre alimentação.


Teia Alimentar




Como já abordamos o tema cadeia alimentar, podemos fechar esse tópico complementando-o com o conceito de teia alimentar.

Vimos como os animais e plantas podem fazer parte de uma cadeia alimentar. Porém, tais seres vivos não participam necessariamente de apenas uma cadeia, podendo pertencer, simultaneamente, a mais de uma. Aliás, essa é a situação mais verificada. Mais ainda, esses animais pertencem a cadeias alimentares diversas, e se posicionam em diferentes níveis tróficos.

Com esses comentários, podemos definir teia alimentar como uma reunião de cadeias alimentares. Ou, de outro modo, teia alimentar é o fluxo de matéria e energia que passa, num ecossistema, dos produtores aos consumidores por numerosos caminhos opcionais que se cruzam (ou seja, várias cadeias que se interligam). A teia alimentar representa o máximo de relações entre os componentes de uma comunidade,

Consideremos uma lagoa. Podemos observar nela uma cadeia alimentar, que seria:






Essa é uma cadeia simples, que não mostra a realidade dessa lagoa. Poderemos observar que as mesmas plantas que servem de alimento aos caramujos podem nutrir larvas de insetos e peixes herbívoros. Os peixes carnívoros comem não apenas os caramujos, mas também os peixes herbívoros e pequenos crustáceos. Peixes carnívoros, peixes herbívoros e rãs são comidos pelas aves da margem.

Como dissemos acima, alguns seres vivos, dependendo do que ingerem, podem ser considerados consumidores de vários níveis ao mesmo tempo. As aves da margem, por exemplo, ao se alimentarem de peixes herbívoros, são consumidores de segunda ordem; quando se alimentam de rãs, são consideradas consumidores de terceira ordem. Assim, ocupam simultaneamente dois níveis tróficos. Os decompositores (bactérias e fungos) podem ser considerados consumidores de várias ordens, de acordo com a origem do resto que eles degradam.

Vemos pois que a harmonia da vida têm como uma das principais bases as relações alimentares. Quando destruímos ou alteramos um habitat, estamos influenciando diretamente na alimentação dos seres desse local. Com isso, afetamos sua saúde.

Temos, entretanto, o costume de imaginar esses fenômenos ocorrendo em um campo, em uma fazenda, enfim em um local distante de nós. Mas... nós participamos de uma cadeia alimentar?? E os animais que vivem conosco, também participam??

Para participar de uma teia alimentar temos que estar inseridos em um ecossistema. No próximo texto, estaremos abordando um pouco sobre os tipo de ecossistema, como eles interagem entre si e como sua manipulação pode beneficiar ou prejudicar a vida dos animais e, também, a nossa.









Essas fotos mostram uma porção da mata Atlântica intacta e uma porção que foi devastada. Essa porção que foi devastada teve alterações de vários tipos, e certamente entre essas alterações temos as das cadeias e teias alimentares dessa região. Dependendo da extensão do "estrago" causado (seja por queimada, por desmatamento ou outras causas quaisquer), a alteração na teia alimentar é tão profunda que as regiões adjacentes, que não foram afetadas, começam a ser prejudicadas.

Devemos então perceber que uma alteração, por mais insignificante que pareça, pode prejudicar os seres vivos pertencentes ao ecossistema abalado e mesmo de ecossistemas próximos, mesmo que diferentes. Podemos conduzir esse raciocínio pois, abstraindo um pouco, o Planeta é regido por uma grandiosa teia alimentar, reunião de todas as teias existentes.

O grande "mal" é que as coisas acontecem num tempo relativamente longo para nós. Alguns prejuízos só são sentidos ao longo de algumas centenas de anos, ao passo que vivemos apenas décadas. Mas lançamos aqui uma questão: suponhamos que o planeta tenha 6 bilhões de anos. Analisemos sua vida até 600 anos atrás. Teremos uma visão. Agora, analisemos a vida do Planeta de 600 anos atrás até hoje... cabe aqui uma análise de amplo espectro, exercício que deixamos a você leitor.



Luigi Leonardo Mazzucco Albano
Aquarista dulcícula e marinho; comportamento de peixes em cativeiro; Cinofilia e Gatofilia; agapornis - São Carlos - SP





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